Integrante do Conselho Nacional de Enfermagem palestra em Joaçaba
Na última sexta-feira, dia 14, o conselheiro licenciado do Conselho Federal de Enfermagem Dr. Gelson Albuquerque palestrou sobre “O Poder do Cuidado” para estudantes e professores de Enfermagem da Unoesc Campus de Joaçaba e profissionais de Enfermagem do Hospital Universitário Santa Terezinha (HUST). A palestra fez parte da V Semana Acadêmica de Enfermagem e da I Semana de Integração dos Profissionais do HUST, acadêmicos e professores do curso da Unoesc, realizada na universidade entre os dias 12 e 15 de maio.
Albuquerque explicou que o cuidado é uma ação inerente à Enfermagem e que por meio dele se estabelece uma relação de poder entre o profissional e o paciente, o qual, para ser efetivo, exige que o profissional domine o conhecimento sobre sua atividade, o contexto local e o contexto global de sua ação. “Precisamos nos mostrar como conhecedores daquilo que fazemos e responder às atribuições que a legislação nos infere como competência”, disse Gelson, que é Doutor em Enfermagem e professor da Universidade Federal de Santa Catarina.
Durante sua palestra, Gelson abordou também um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados, propondo que a carga horária semanal de trabalho dos profissionais de Enfermagem seja de 30 horas ao invés de 40, conforme preconizado pela Organização Internacional do Trabalho. “Várias pesquisas mostram que quem trabalha no serviço de saúde, especialmente os trabalhadores da ponta, precisam descansar 18 horas entre um turno de serviço outro. Isso ocorre porque essas pessoas compartilham da dor dos seus pacientes e, por isso, necessitam de um tempo maior para se recompor e poder agir com competência e qualidade, mantendo a segurança que é necessária aos usuários”, defendeu.
Outros temas fizeram parte da Semana Acadêmica e Semana da Integração. Entre eles estão a promoção da saúde, interpretação de exames laboratoriais, curativos, especialidades dentro da Enfermagem e doação de órgãos. Todas as palestras e atividades envolveram os estudantes da universidade e os profissionais do HUST. “O HUST é um hospital universitário que recebe muitos acadêmicos para estágios curriculares. Sendo assim, é necessário estreitar a relação entre os profissionais da instituição e os acadêmicos, para que haja uma integração desde já e para que trabalhemos os mesmos conteúdos com os dois grupos”, diz a enfermeira Patrícia Zílio Tomasi, professora da Unoesc e coordenadora de Enfermagem do HUST.
A partir deste ano, a Semana da Integração ocorrerá sempre em maio, entre os dias 12 e 20, período em que se comemora a Semana da Enfermagem e são desenvolvidas inúmeras ações e eventos em todo o país. Em 2010, em especial, essa semana é ainda mais significativa para os profissionais dessa área devido à passagem do centenário de morte de Florence Nightingale, enfermeira italiana que foi modelo para outros profissionais da sua época e ajudou a consolidar a profissão.
“Para comemorar este marco histórico, a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs que 2010 seja considerado o Ano Internacional da Enfermagem, uma iniciativa que visa conferir crédito às vozes, valores e conhecimento desses profissionais”, lembra a coordenadora do curso de Enfermagem da Unoesc Campus de Joaçaba, Maria do Carmo Vicensi.
Durante a abertura da Semana Acadêmica, os estudantes fizeram uma homenagem a Florence, retratando um pouco de sua vida e relatando sua história.
Doação de órgãos
Na noite de sexta-feira, a enfermeira Leandra Cancian, coordenadora do Centro Cirúrgico e da Comissão Intra-hospitalar de Doação e Captação de órgãos do HUST e o médico intensivista Carlos Alexandre Romero de Souza, coordenador da UTI da mesma instituição, ministraram palestra sobre doação de órgãos. Os dois falaram sobre a regulamentação do Sistema Nacional de Transplantes, a função e procedimentos da equipe de captação de órgãos, bem como o passo a passo do protocolo.
“Nossa intenção com esta palestra é sensibilizar os estudantes e profissionais da área e, dessa forma, ampliar a conscientização da comunidade em geral a respeito do tema, pois ainda enfrentamos muitos mitos quando o assunto é doação de órgãos. Mesmo tendo 35 anos de transplantes no Brasil, ainda há muita resistência”, disse Leandra.
Carlos Alexandre focou sua palestra nos aspectos evolutivos em termos de tecnologias e técnicas operatórias que facilitaram o desenvolvimento dos transplantes de doador não vivo; nos critérios de estabelecimento de morte encefálica, a partir do que os transplantes de doador falecido teve um grande impulso em nível mundial; e na manutenção de órgãos vitais. “Essas informações são importantes para todos os profissionais de saúde”, afirmou.
O Hospital Universitário Santa Terezinha realiza captações de órgãos desde 2002. Até hoje, foram iniciados 23 protocolos de captação. No entanto, para que a doação de órgãos ocorra é necessária a autorização da família do paciente doador, o que em algumas vezes não ocorre. “A maior causa de resposta negativa é a dúvida em relação a sua vontade do doador, pois as pessoas não conversam sobre esse assunto”, diz Leandra, destacando que essa é uma característica cultural que precisa ser quebrada: as pessoas precisam conversar com seus familiares sobre o seu desejo de doar órgãos, pois mesmo sendo assunto difícil, essa é uma iniciativa que pode salvar várias vidas.
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