DICAS
DE REDAÇÃO
Modalidade de Redação: Dissertação
O
texto dissertativo
É
a modalidade (tipo) de redação solicitada em concursos
vestibulares, pois se trata de um texto de opinião, de análise
pessoal sobre determinado tema.
O
que fazemos em nosso cotidiano quando debatemos um assunto, discutimos,
opinamos, tentamos convencer e, não raras vezes, polemizamos,
apresentamos causas, conseqüências, fazemos análises
e concluímos é a modalidade de redação denominada
dissertação.
Dissertar,
portanto, é expressar nossas idéias sobre um tema, apresentando
pontos de vista e argumentos em defesa de nossas opiniões. Por
isso, caracteriza-se pela presença de argumentação
que, diante de um tema polêmico, apresenta uma tese, apoiada em
fatos a fim de convencer. Assim, exige convencimento, dados comprobatórios,
citações lógicas e cabíveis, exemplos, comparações,
analogias, embasamento teórico consistente.
Toda
discussão inteligente supõe que o debatedor tenha informações
suficientes sobre o assunto e a capacidade de organizar os dados e o
discurso de uma forma convincente. Os argumentos podem se basear em
experiências pessoais do autor, leituras, testemunhos de autoridades
no assunto, evidências facilmente comprováveis ou julgamentos.
Esse tipo de texto, que é chamado dissertativo, corresponde ao
que nós conhecemos como um texto científico, um editorial
de jornal. Como sempre há uma intenção argumentativa,
o objetivo desse tipo de texto é influenciar, persuadir, convencer
o interlocutor, fazendo-o crer em algo, aderir a uma opinião.
Na dissertação, o autor de texto pode manifestar explicitamente
sua opinião ou seu julgamento.
Estrutura
do texto dissertativo
O
texto dissertativo organiza-se em três etapas, cada uma das quais
com funções bem específicas que, em conjunto, oferecem
ao leitor uma visão de totalidade. Vejamos cada uma dessas três
partes:
Introdução:
é a parte em que se apresenta a idéia principal, a tese,
a qual deverá ser desenvolvida progressivamente no decorrer do
texto. A idéia principal é o ponto de partida do raciocínio.
A elaboração dessa etapa inicial exige boa capacidade
sintética, pois a clareza e objetividade de idéias nesta
etapa constituem uma das formas de obtermos a adesão imediata
do leitor ao texto; não que o leitor deva necessariamente concordar
com nosso primeiro argumento – a tese – mas se oferecermos
a ele um contato direto com a matéria que encaminhará
nossa argumentação, tocando-lhe, encantando-lhe, surpreendendo-lhe
de alguma forma, o texto ganhará maior interesse e atenção.
Desenvolvimento:
a apresentação e defesa de argumentos ocorrem nesta etapa
de elaboração do texto. No desenvolvimento, as informações
sobre o tema anunciado na introdução são analisadas,
debatidas, comprovadas. É evidente que a variedade de argumentos
depende da riqueza do repertório de quem escreve – conhecimento
a respeito do tema – como também da possibilidade de constituir-se
com ele uma rede de tenha sua lógica; a quantidade de informações
por si só não assegura a qualidade da argumentação,
já que esta decorre do domínio do assunto e do domínio
da língua padrão (escrita correta).
Conclusão:
esta parte, que é também chamada de desfecho, sintetiza
o que há de mais relevante no conteúdo desenvolvido; o
objetivo dessa retomada de conteúdos é registrar as considerações
finais do autor sobre o tema, dando um fechamento adequado que leve
o leitor a refletir.
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Leia um exemplo de dissertação publicada em jornal:
Publicidade:
a força das imagens a serviço do consumo
Comerciais
exibidos na televisão recorrem a estereótipos para criar
a sensação de desejo no inconsciente do telespectador.
A linguagem da propaganda, em qualquer meio de comunicação,
é sempre a da sedução, a do convencimento. (introdução
– apresentação resumida e geral do assunto a ser
abordado em seguida)
Na
TV, o discurso da propaganda ganha um reforço considerável:
a força das imagens em movimento. Assim, fica muito difícil
resistir aos seus apelos: o sanduíche cujos ingredientes quase
saltam da tela com sua promessa de sabor, o último lançamento
automobilístico – que nenhum motorista inteligente e que
gosta de velocidade pode deixar de comprar – deslizando em uma
rodovia perfeita como um tapete, a roupa de grife moldando o corpo esguio
de jovens modelos.
A
publicidade funciona assim nas revistas, nos jornais, no rádio
e nos outdoors, mas suas armas parecem mais poderosas na televisão.
Se é verdade, como dizem os críticos, que a propaganda
tenta criar necessidades que não temos, os comerciais de TV são
os que mais perto chegam de nos fazer levantar imediatamente do sofá
para realizar algum desejo de consumo – e às vezes conseguem,
quando o objeto em questão pode ser encontrado na cozinha.
Aprender
a “ler” as peças publicitárias veiculadas
pela TV tem a mesma importância, na formação de
um telespectador crítico, que saber analisar os noticiários
e as telenovelas. A parte mais óbvia desse trabalho de conscientização
refere-se, claro, à identificação das estratégias
usadas para criar o apelo ao consumo.
Entre
as armas da publicidade para seduzir o telespectador destacam-se a nudez,
a inocência infantil e a plasticidade quase irreal das imagens.
Independente do apelo ao consumo, os comerciais exibidos pela televisão
também se prestam a análises mais amplas de conteúdo.
(desenvolvimento – embasamento, apresentação
de dados, colocações que colaborem para a comprovação
das idéias)
Ao
difundir modelos de comportamento, os comerciais exercem tanta influência
sobre os telespectadores quanto os personagens de novelas; e, ao reforçar
estereótipos associados a raças e classes sociais, por
exemplo, contribuem decisivamente para que imagens distorcidas da sociedade
continuem a ser propagadas.
(Conclusão – fechamento das idéias)
In Jornal Folha de S. Paulo.